Gestão Esportiva
08/08/2017
Por PAULO PINTO/CBJ | Fotos BUDOPRESS/CBJ
Lauro de Freitas - BA

Sílvio Acácio e Edison Koshi Minakawa

Edison Minakawa, que começou na arbitragem há 35 anos e atuou nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e Rio 2016, nasceu e vive até hoje numa família de judocas. Filho do professor kodansha 7º dan Hirosi Minakawa, formado na lendária escola Budokan, é casado com Míriam, técnica da Hebraica, em São Paulo, e a filha de ambos, Camila, defendeu o Estado de Israel nas últimas Olimpíadas, seu filho Guilherme Minakawa é ni-dan e acaba de conquistar o tricampeonato das Macabíadas, enquanto a caçula Mariana Minakawa é sho-dan.

Além das indiscutíveis credenciais para a função, Sílvio Acácio lembrou que Edison Minakawa atingiu o limite de idade imposto pela Federação Internacional de Judô (FIJ) aos árbitros que atuarão em 2020, o que lhe dá condições de assumir um cargo ligado à confederação brasileira. Esse vínculo, que é vetado aos árbitros que atuam em competições da entidade internacional, agora se tornou possível.

Não que a idade seja um problema, como lembrou Sílvio Acácio em sua fala aos árbitros. “O professor Edison atuou na última Olimpíada, mas, apesar de não parecer, a idade dele não permite que atue como árbitro no circuito de 2020. É uma pena, porque a competência não se mede com idade e o maior exemplo é o professor José Pereira, que vinha ocupando a coordenação de arbitragem, e aos 89 anos ainda tem uma condição ativa de fazer inveja a muita gente mais nova”, afirmou.

Edison Minakawa declarou-se muito feliz e privilegiado por ter sido escolhido. “O sonho de todo árbitro é um dia comandar e coordenar a arbitragem nacional. Apesar de ser um grande desafio e demandar enorme responsabilidade, para mim está sendo uma grande honra estar à frente da arbitragem nacional. Mas estou tranquilo por ter plena convicção de que dividirei esta grande responsabilidade com toda arbitragem do Brasil.”

Sílvio Acácio Borges, presidente da CBJ

O novo coordenador enfatizou seu comprometimento total com o cargo e sua confiança na participação dos demais juízes do Brasil para obter sucesso nesta empreitada e dar prosseguimento ao trabalho desenvolvido pelo professor José Pereira nos últimos 16 anos. “Ele sempre será a grande referência da arbitragem no Brasil, e com ajuda dele tenho certeza que permaneceremos na vanguarda da arbitragem pan-americana”, afirmou Minakawa, referindo-se a seu antecessor.

Por sua vez, Pereira vê com bons olhos a escolha de seu sucessor. “Já me foi perguntado se ele seria a pessoa ideal para este posto. E eu disse: ele é o homem certo porque, primeiro, tem know-how como homem viajado e ligado à FIJ. Esse é um fator muito positivo e importante para a CBJ, pois é preciso ter alguém lá dentro com o gabarito e o conhecimento que ele tem. Além disso, há o Jéferson, que vai ajudá-lo neste sentido, para que o trabalho na confederação não seja interrompido. Penso que ele vai dar continuidade ao trabalho que resultou do esforço de todos, do presidente ao meu, que sempre primei em fazer uma gestão impecável e que dignificasse nossa classe. Parece-me que, se não alcancei a excelência, cheguei muito perto. Acho que foi uma excelente indicação.”

José Pereira Silva

Ao deixar a coordenação de arbitragem da CBJ, Pereira continuará a atuar na entidade como conselheiro nacional de arbitragem, cargo que considera um prêmio. “Sempre falo que a pessoa da terceira idade é tida como um velho e existe uma rejeição mundial; e eu posso até tentar entrar no livro dos recordes, porque sou o primeiro cara que está empregado com carteira assinada com quase 90 anos. Estão me respeitando como uma pessoa útil e atuante e eu faço todo o possível para manter essa atuação e demonstrá-la com resultados positivos. Algumas pessoas que acompanharam minha atuação nos últimos 30 anos podem até me considerar um cara polêmico, o que não nego, pois é um privilégio dos grandes. Prefiro ser polêmico a ser Maria vai com as outras”, afirmou Pereira. “Sou um privilegiado não só de Deus, mas também dos homens.”

Processo de escolha

Sílvio Acácio explicou que desde maio, no primeiro encontro realizado em Blumenau (SC), vinha recebendo sugestões de vários árbitros sobre a sucessão na comissão da CBJ. “Conversei principalmente com o pessoal mais experiente, pois na minha sincera opinião imaginava trabalhar com várias comissões, sem um coordenador nacional. O professor Pereira permaneceria na condição de conselheiro, estudioso e ouvidor. Entretanto, a determinação da FIJ nos fez repensar, já que havia uma figura com muito potencial no exterior, com experiência e bagagem que dispensam comentários. Capacidade não se discute. Da mesma forma que o Pereira conquistou o espaço dele na arbitragem e hoje é uma referência, nós não poderíamos jamais descartar uma pessoa com todo este conhecimento,” detalhou o presidente da CBJ. “O professor Edison Minakawa foi eleito o melhor árbitro do quadro da FIJ, mas o ciclo dele no circuito olímpico está encerrado.”

José Pereira, Sílvio Acácio e Edison Minakawa

Para o presidente da CBJ, no judô todos têm de apoiar-se uns nos outros. “Estou muito feliz, houve um consenso no grupo em si. Em minhas consultas não me restringi aos juízes FIJ A, ouvi também os FIJ B com muita bagagem e experiência. Todos apontaram para o Edison como o líder para este próximo ciclo. Com um diferencial: com ele a arbitragem não vai estar sob o guarda-chuva de nenhum outro segmento a não ser a CBJ. Vamos trabalhar em conjunto, mas ele terá autonomia.”

Segundo Sílvio Acácio, Edison Minakawa, que também é professor kodansha 7º grau, teve plena aceitação do grupo. “Outro mais novo do que ele não aceitaria este convite porque sonha correr o circuito internacional. A bola da vez pela idade seria o Jéferson e depois viriam o Edilson Hobold, Laedson Lopes, André Mariano e Leonardo Stacciarini, mas são de uma geração mais jovem, com muita lenha para queimar na arbitragem internacional. A entidade, por outro lado, também tem de pensar na sua presença no exterior.”

É bom lembrar que o próprio Sílvio Acácio Borges, antes de presidir a CBJ e dirigir a Federação Catarinense de Judô, já era árbitro FIJ A. Em Salvador (BA), no dia 4 de agosto, foi a primeira vez ele comandou um encontro de árbitros. “Foi uma responsabilidade muito grande, até porque antes de meu nome ser cogitado para concorrer à presidência da CBJ eu tinha sido convidado para assumir a coordenação desta equipe. E logo aceitei, porque minha paixão pela arbitragem sempre foi grande”, disse.

Edison Minakawa

Quando assumiu, Sílvio Acácio e sua equipe começaram a rever algumas normas e procedimentos da CBJ, detectando a necessidade de preservar o professor Pereira. “São muitos eventos nacionais e até por uma questão de garantir a integridade dele, respeitando-se o ciclo natural, era natural que ele estivesse ausente”, explicou o presidente da CBJ.

A nova direção da CBJ percebeu a necessidade da presença de alguém que atuasse de forma mais impositiva em relação a atitudes que pareciam insignificantes mas contribuíam para dar uma impressão de descaso, como o uso excessivo de celulares pelos árbitros durante a competição, o tempo excessivo gasto no cafezinho, ou até a falta de padronização nos uniformes. “Toda a disciplina que o professor instituíra com muita luta começava a perder-se com a ausência dele”, lamentou Sílvio Acácio.

Na reunião realizada em Salvador, na abertura do credenciamento técnico do Campeonato Brasileiro Sub 13, o presidente da CBJ insistiu, entre outras coisas, para que se retome a padronização, porque o árbitro não é apenas um homem de terno, mas uma pessoa com muita responsabilidade e precisa passar essa impressão para os outros.

Ao lado de José Pereira, Edison Minakawa fala durante o sorteio das chaves do Campeonato Brasileiro sub 13

Árbitros FIJ A que participaram do encontro

Aloísio da Costa Short Sobrinho – BA

André Mariano dos Santos –  DF

Carlos Alberto de Castro Barreto – RN

Chuno Wanderlei Mesquita – RJ

Edilson Hobold – PR

Edison Koshi Minakawa – SP

Gilmar dos Santos Dias – RJ

Jéferson da Rocha Vieira – RJ

José Pereira Silva – RJ

Laedson Lopes Godoy – RN

Leonardo Stacciarini de Resende – GO

Marilaine Ferranti – SP

Paulo Cézar de Oliveira Ferreira – RR

Sílvio Acácio Borges – SC

Takeshi Yokoti – SP

Danys Queiroz – PI