Gestão Esportiva
31/05/2017
Por PAULO PINTO | Fotos BUDOPRESS
Curitiba - PR

Delfino Júnior, presidente da Federação de Judô do Estado do Acre

Realizado entre os dias 26 e 28 de maio, no Centro Pan-Americano de Judô (CPJ), em Lauro de Freitas (BA), o campeonato brasileiro júnior (sub 21) reuniu 353 atletas procedentes de 26 Estados. Esta edição do certame mostrou uma série de inovações e novidades na formatação do evento, além de alguns novos dirigentes eleitos no início de mais um ciclo olímpico.

Contudo, parece que algumas coisas não mudam nunca e alguns personagens historicamente avessos às mudanças e inovações insistem em cometer erros que se repetem há décadas e, lamentavelmente, o Acre é um triste exemplo disso.

O único senão de uma competição que expôs o novo momento que o judô brasileiro atravessa neste início de ciclo olímpico ficou por conta daquele Estado, que mais uma vez não inscreveu nenhum atleta e não enviou árbitro algum para atuar no certame.

As políticas implementadas por Delfino Júnior, um dirigente que se perpetua no poder sem proporcionar nenhuma contrapartida ao desenvolvimento do judô estadual, mantêm o Acre à margem do processo de desenvolvimento implantado no País há quase duas décadas, do Oiapoque ao Chuí.

Modalidade com maior retrospecto olímpico, o judô hoje produz campeões em todas as regiões. No brasileiro sub 21, por exemplo, vimos campeões do Amazonas, Maranhão e atletas de 15 Estados subiram ao pódio.

Aliás, na divisão de Estados promovida pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ), o Maranhão e o Amazonas pertencem à mesma região que o Acre, da mesma forma que o Pará, Roraima e Piaui.

A não participação do Acre nos eventos nacionais colabora apenas para aumentar o abismo técnico existente entre o judô acreano com aquilo que vemos em Estados da mesma região geográfica e da Região 1 da CBJ.

Por meio do PAF, a Confederação Brasileira de Judô disponibiliza passagens aéreas para cinco atletas e um técnico para todos os Estados. Mesmo assim, desde 2013 a federação acreana de judô não participa de nenhum evento oficial da CBJ. Este ano não atuou nem do brasileiro regional, realizado em Belém, no mês de abril, ficando excluído de todos os campeonatos brasileiros das diversas classes de idade e peso.

Na contramão do que faz Delfino Júnior, o número de atletas inscritos no Campeonato Brasileiro da Região 1, realizado em Belém em abril, revela o esforço que dirigentes, técnicos e atletas imprimem para desenvolver uma modalidade que está cada vez mais arraigada na cultura do nosso País.

Em 2013, o Campeonato Brasileiro da Região 1 recebeu 392 atletas, enquanto nesta temporada 777 judocas disputaram o mesmo certame. Por que será que somente na capital da Amazônia Ocidental o judô não acontece?

O Estado do Acre não possui nenhum árbitro cadastrado no Zempo. Não tem técnicos e, ao que parece, não possui nem atleta. Aliás, apenas quatro judocas foram registrados até hoje no banco de dados da CBJ, e isto aconteceu em 2013.

Mesmo sem disponibilizar um site ou blog com informações e dados históricos, soubemos que a Federação de Judô do Estado do Acre (FJEAC) foi fundada em 1996 por Delfino Batista da Cunha Filho, e desde então o dirigente mantém a modalidade refém de sua total inépcia administrativa. Ao longo de duas décadas o pseudogestor do judô acreano não foi capaz de produzir um único avanço que endossasse ou apenas justificasse sua desafortunada permanência à frente da entidade.

Quão avassaladora pode ser a ambição de um indivíduo que transforma o judô, uma modalidade olímpica essencial para o desenvolvimento humano, refém de interesses pessoais mesquinhos e escusos?

Crítico ferrenho das políticas de gestão implantadas pela CBJ, entidade que elevou o judô brasileiro ao patamar de potência mundial da modalidade, Delfino Júnior é o retrato nu de um dirigente arcaico e opressor.

Há várias semanas o judô brasileiro figura em primeiro lugar no ranking da Federação Internacional de Judô (FIJ), e os judocas brasileiros conquistam cada vez maior espaço no cenário mundial. Não podemos conceber que a modalidade com maior retrospecto olímpico de um País que é potência mundial do esporte não frutifique num Estado, em função de um autocrata que se fundamenta no apoio espúrio de meia dúzia de seguidores que o respaldam incondicionalmente.

Há 21 anos no poder, Delfino Júnior parece desconhecer preceitos da modalidade da qual se intitula senhor absoluto. Pensamentos como este que foi deixado por Jigoro Kano: “O adversário é um parceiro necessário ao progresso, a vida da humanidade baseia-se neste princípio”.