Campeonato Brasileiro De Judô Sub 21
30/05/2017
Por PAULO PINTO | Fotos MAYARA ANANIAS/CBJ
Salvador - BA

Atletas perfilados e dirigentes, durante a execução do Hino Nacional na cerimônia de abertura do brasileiro sub 21

Com disputas vibrantes, as competições da classe júnior mostram-se vez mais emocionantes e impregnadas de um clima extremamente competitivo.

Reunindo 353 atletas procedentes de 26 Estados, esta edição do campeonato brasileiro sub 21 mostrou uma série de novidades na sua formatação e o Centro Pan-Americano de Judô (CPJ), agora como arena multiuso, proporcionou nova dinâmica ao certame.

Atendendo à importante inovação formulada por Sílvio Acácio Borges, presidente da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), a cerimônia de abertura contemplou a presença de representantes de todos os segmentos da modalidade na mesa de honra.

"Estar na casa do judô nacional, abrindo o campeonato brasileiro sub 21, que é o primeiro de minha gestão, é uma satisfação enorme. Nesta nova caminhada à frente da CBJ teremos a representação de todas as classes de esportistas da nossa modalidade nas mesas de honra. Atletas, técnicos, árbitros, professores kodanshas e dirigentes das federações estaduais serão devidamente representados em nossos eventos", explicou Sílvio Acácio.

A disputa realizada neste fim de semana definiu a equipe que defenderá o Brasil no campeonato mundial

A mesa foi formada por Sílvio Acácio Borges, presidente da CBJ; Jucinei Costa, presidente da FJERJ; Marcelo Ornelas, presidente da Febaju; Floriano de Almeida, técnico do Minas Tênis Clube; Aloísio da Costa Short Sobrinho, professor kodansha 7º dan e árbitro FIJ A; e Sarah Gabrielle Cabral de Menezes, campeã olímpica (Londres 2012), que participou também da cerimônia de premiação e avaliou o certame positivamente.

"Adorei a competição. Foi a primeira vez que venho dar uma olhada mais de perto no campeonato brasileiro sub 21. Gostei do que vi no tocante ao nível técnico dos atletas e da organização. Gostaria de vir mais vezes. É outra percepção para quem vê de fora. Foi muito bacana ver esses jovens atletas buscando seu espaço", avaliou a piauiense.  

Campeão da Taça Brasil e do brasileiro, o paranaense Luan Saboya conquistou muito pontos no ranking

Choque-Rei do sub 21

Nos tatamis do Centro Pan-Americano de Judô aconteceram duelos com alto nível técnico e lutas memoráveis que consagraram vencidos e vencedores, como a disputa do peso-leve masculino, que mostrou mais uma exibição de gala de uma dupla que desde o sub 15 mede forças e briga pelo lugar mais alto do pódio.

Assim como fizeram na final da Taça Brasil, realizada em Blumenau (SC), e nas demais oito vezes em que se enfrentaram, David Dias Lima (Sogipa) e Jeferson Santos Júnior (ADPM/SJC) protagonizaram um combate com muitas variantes técnicas que deu a primeira e histórica vitória – no golden score, com um shidô – ao paulista de Taboão da Serra, que defende a Sogipa.

O confronto durou seis minutos, e foi tão pegado que no fim ambos foram ovacionados pelo público devido ao excelente nível competitivo.

Sarah Menezes, Aloísio da Costa Short, Marcelo Ornelas França, Sílvio Acácio Borges, Jucinei Costa e Floriano de Almeida

Rio de Janeiro fatura o masculino e São Paulo domina o feminino

Totalizando quatro medalhas, duas de ouro e duas de bronze, o Estado do Rio de Janeiro surpreendeu e conquistou o primeiro lugar no ranking masculino.

O Estado de São Paulo disputou quatro finais e conquistou oito medalhas – uma de ouro, três de prata e quatro de bronze –, ficando em segundo lugar.

Com um ouro, duas pratas e um bronze os gaúchos terminaram em terceiro lugar, seguidos pelos atletas do Distrito Federal, que somaram um ouro e dois bronzes.

A quinta colocação ficou com o selecionado catarinense, que obteve um ouro e um bronze. As seleções do Paraná e do Maranhão terminaram na sexta e na sétima posições, conquistando uma medalha de ouro cada uma.

Mais uma vez Jeferson Santos Júnior (ADPM/SJC) e David Dias Lima (Sogipa) protagonizaram um combate eletrizante e envolvente

Já no naipe feminino a história se inverteu. São Paulo nadou a braçadas, conquistando nada menos do que nove medalhas. Ao todo as paulistas disputaram sete finais e faturaram três medalhas de ouro, quatro de prata e duas de bronze.

Para fechar a dobradinha com os paulistas, o time fluminense disputou três finais que renderam duas medalhas de ouro e uma de prata e garantiram o segundo lugar no ranking.

Correndo por fora e surpreendendo também no feminino, o Distrito Federal chegou em terceiro lugar com uma medalha de ouro e outra de prata.

Com um ouro e uma prata Minas Gerais ficou em quarto lugar, enquanto o Estado do Amazonas chegou na quinta colocação com uma medalha de ouro.

O ouro ficou com David Lima, mas os dois foram ovacionados pela torcida

Fazendo uma avaliação percentual da distribuição das medalhas de ouro, constatamos que São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais deram ao Sudeste 57% dos ouros em disputa.

Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina somaram três ouros para a região Sul, que correspondem a 19%.

Sozinho, o Distrito Federal obteve dois ouros para a região Centro-Oeste, ou seja, 12 %.

Maranhão e Amazonas conquistaram um ouro, o que proporcionou 6% dos que foram colocados em disputa para as regiões Nordeste e Norte, respectivamente.

Matheus Theotônio, Silvio Acácio, Edmilson Guimarães e Marcelo Theotônio

Vencedores avaliam desempenho de suas equipes

Bastante emocionado, Daniel Loureiro, um dos técnicos do Estado do Rio de Janeiro, enfatizou o bom momento do judô fluminense.

“Vivemos um momento de renovação do judô em nosso Estado, e quero lembrar que no ano passado tivemos um péssimo desempenho. Penso que o diferencial foi a mudança do trabalho desenvolvido pela comissão técnica. Mudamos os critérios para convocação da seleção estadual e o resultado está aí. Voltamos para casa com quatro medalhas de ouro, uma de prata e duas de bronze, além do título de campeão no masculino e o vice no feminino”, comemorou Loureiro.

Arthur Barbosa (RJ) garantiu o bronze no peso-pesado

Ao avaliar o desempenho da equipe bandeirante, Argeu Maurício de Oliveira, chefe da delegação paulista e delegado regional da 3ª DRJ Centro-Sul, descreveu a estrutura competitiva que faz de São Paulo o maior reduto do judô verde e amarelo.

"Existe uma integração entre os clubes e escolas do Estado de São Paulo, e o nosso grande diferencial é o sistema de regionalização. As 16 delegacias da FPJ promovem primeiro competições regionais e depois inter-regionais, que classificam os judocas que disputarão os campeonatos paulistas. Dentro de um Estado grande como é São Paulo, conseguimos unir todas as escolas em prol do desenvolvimento do nosso judô", enfatizou Argeu Maurício de Oliveira.

Sarah Menezes entrega a premiação do peso-ligeiro masculino

Dirigentes comemoram o bom início de temporada

A primeira avaliação foi feita por Marcelo Ornelas da Cruz França Moreira, presidente da Febaju e grande anfitrião dos eventos promovidos no Centro Pan-Americano de Judô, que enfatizou a homogeneidade do judô do Brasil

“A competição mais uma vez foi muito disputada. Foram 26 Estados participantes, dos quais 15 conquistaram medalhas. Apesar do predomínio das regiões Sul e Sudeste, observamos atletas do Centro-Oeste, do Norte e Nordeste chegando ao pódio. O judô brasileiro realmente se encontra bem nivelado, proporcionando o surgimento de novos talentos de todo o País”, afirmou Ornelas.

Jucinei Costa entrega a premiação do peso-médio feminino

Na avaliação de Jucinei Costa, presidente da FJERJ, o campeonato brasileiro mostrou que o Brasil disputará o mundial sub 21 com uma equipe fortíssima.

“O campeonato brasileiro sub 21 mostrou a força e o potencial do judô do Brasil. Tivemos uma competição com nível bem forte e acredito que conseguiremos montar uma boa equipe para representar o Brasil no campeonato mundial. Esta é uma classe que está na vitrine e acredito que seja a menina dos olhos da gestão de alto rendimento da CBJ, por abrigar muitos atletas que atuarão nos próximos ciclos olímpicos”, disse.

Para o dirigente fluminense a paridade técnica foi a principal característica da competição.

“Apesar de o Rio de Janeiro ter sido campeão no masculino e São Paulo vencer no feminino, tivemos um nivelamento muito grande. Vários Estados conquistaram medalhas de ouro e isso demonstra o excelente trabalho que a CBJ vem desenvolvendo por meio do PAF, um programa de apoio às federações que tem dado excelentes resultados. Cada vez mais vemos Estados com menor tradição obtendo resultados expressivos. Há bem pouco tempo tínhamos apenas três Estados brigando pelas medalhas das competições nacionais.”

Marcelo Ornelas França entrega a premiação do peso-médio masculino

Jucinei credita os resultados obtidos à nova gestão e à determinação dos atletas e técnicos fluminenses em reunir esforços para voltar a ver o judô do Rio de Janeiro brilhando nas principais competições.

“Falando especificamente sobre o desempenho do Estado do Rio de Janeiro, lembro que o judô carioca sempre teve enorme potencial competitivo, em função dos bons professores e das boas agremiações que possuímos. O que estamos fazendo é juntar os cacos que estavam espalhados para resgatar a força, a tradição e o prestígio que historicamente o judô fluminense detém. O mais importante é que todos estão empenhados, acreditando nesta proposta, e os resultados estão aparecendo”, disse o dirigente. Ele encerrou lembrando que as mudanças promovidas pela CBJ no rankeamento estão alavancando o judô desde a base ao alto rendimento.

Mudanças apontam o início de nova era no judô brasileiro

Após a cerimônia de premiação Sílvio Acácio Borges avaliou a competição, que apresentou uma série de inovações. 

“Reformulamos alguns setores estratégicos da gestão e aos poucos cada área está reproduzindo as mudanças que eram necessárias nos certames. A CBJ sempre imprimiu um modelo de gestão no cenário esportivo, e para nos mantermos à frente precisamos imprimir mudanças constantes. Acredito que tanto os atletas quanto os membros das comissões técnicas ficaram satisfeitos com o que apresentamos. Os membros de nossa equipe técnica também aprovaram o novo formato, com as disputas por medalha ocorrendo na parte da tarde, e este sentimento nos impele a seguir na busca de eventos cada vez mais bem equacionados e dinâmicos”, projetou o presidente da Confederação Brasileira de Judô.

Pódio por Estados do masculino, com o Rio de Janeiro campeão

Matheus Theotônio, gestor de eventos da CBJ, falou sobre as principais mudanças realizadas no campeonato brasileiro sub 21.

“Implementamos algumas mudanças visando a adequar nossos certames àquilo que vemos nos eventos da Federação Internacional de Judô. Com isto, as alterações mais prementes dizem respeito às disputas de medalhas, que agora se dão num bloco isolado na parte da tarde. Também colocamos uma categoria a mais no domingo, para que os atletas tivessem maior intervalo entre as lutas da fase classificatória e as disputas de medalhas”, explicou Theotônio.

O gestor de eventos da Confederação Brasileira prevê que em pouco tempo haverá maior sintonia entre as equipes da MCS e CBJ.

“Estabelecemos uma importante parceria com a MCS, mas esta foi a nossa primeira experiência e ainda estamos nos conhecendo e descobrindo o que poderemos oferecer uns aos outros, na realização dos nossos torneios. Estamos certos de que juntos iremos evoluir e realizar grandes eventos”, previu o dirigente.

Pódio por Estado feminino, com São Paulo campeão

Theotônio espera promover a sintonia fina dos eventos, por meio do feedback fornecido por atletas, técnicos, árbitros e dirigentes.

“Ao meu ver as mudanças foram positivas e agradaram a atletas, membros das comissões técnicas, árbitros e dirigentes. Após a competição distribuímos um questionário solicitando ajuda e a avaliação de todos sobre as mudanças efetuadas, pedindo também sugestões. Procuramos obter a excelência nas nossas realizações, e estamos certos de que só atingiremos nosso objetivo com a participação de todos”, ensejou Marcelo Theotônio.

Maurício Carlos dos Santos, diretor da Marketing Consulting Sports, agência oficial da Confederação Brasileira de Judô e atual executivo do Centro Pan-Americano de Judô, falou sobre o novo momento do CPJ.

“É importante destacar o novo modelo de utilização do Centro Pan-Americano de Judô, que conta hoje em seus quadros com uma equipe multidisciplinar com ampla experiência na gestão e organização de eventos esportivos nos mais diferentes níveis. A estrutura utilizada na produção e realização de jogos olímpicos, campeonatos mundiais, grand slams e desafios internacionais para a TV, a partir deste novo momento dará suporte às promoções nacionais. No brasileiro sub 21 iniciamos a relação com a equipe capitaneada pelo novo gestor de eventos da CBJ e, com pequenos ajustes, em breve nossos eventos obedecerão rigorosamente aos padrões internacionais de competição”, previu Maurício Santos.  

Juntas, equipes da CBJ e MCS realizaram um grande evento em Lauro de Freitas