Wrestling
13/05/2017
Fonte ANA CLÁUDIA FELIZOLA/BRASIL2016.GOV.BR | Fotos MAYARA ANANIAS/MCS e GETTY IMAGES
Laura de Freitas – BA

Aline Silva ficou com a prata no Pan-Americano realizado no Centro Pan-Americano de Judô em Lauro de Freitas

Aline Silva chegou ao Rio de Janeiro, em agosto do ano passado, com uma grande esperança: conquistar a primeira medalha olímpica do Brasil no wrestling. A estreia não poderia ser melhor, derrotando a rival Rio Watari, do Japão, país potência na modalidade. Logo em seguida, no entanto, o sonho da brasileira foi interrompido por uma derrota para a russa Ekaterina Bukina, nas quartas de final. Aline precisava, então, que Bukina chegasse à final para poder brigar pelo bronze em uma repescagem, o que não aconteceu. A meta do pódio precisaria ser adiada por quatro anos – mas não esquecida.

“Acredito que o ciclo para Tóquio é o meu último, porque lá estarei com 34 anos. Quero lavar a minha alma neste ciclo. Para o Rio eu já fiz tudo. Agora quero fazer tudo e mais um pouco”, adianta a atleta, sem esconder a amargura vivida em solo carioca e ainda latente. Só de ouvir sobre sua primeira participação olímpica, Aline já balança a cabeça negativamente.

“Para mim ainda está engasgado, sabe? Ainda é difícil assistir às minhas lutas, ainda é difícil analisar, porque a gente fez tudo. Fui além do meu limite para o Rio”, conta. “Sei que cumpri com todo o meu plano, com todo o trabalho que tinha que fazer, e o mínimo que esperava era uma medalha, mas o resultado não vem na hora que a gente quer”, lamenta a vice-campeã mundial de 2014 e medalhista de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015.

Assim, os próximos quatro anos terão, para ela, uma missão de redenção. “Eu lutei bem no Rio, eu sei. Ganhei da japonesa, fui a única a tirar a japonesa da final, mas não era o que eu queria. Isso não é o suficiente. Eu treinei demais para isso. Eu queria uma medalha, e é por isso que vou lutar tanto neste último ciclo. Não quero encerrar a carreira com isso engasgado”, avisa.

No último fim de semana, Aline deu início, oficialmente, ao trabalho rumo a Tóquio, faturando a medalha de prata durante o Campeonato Pan-Americano de Wrestling, em Lauro de Freitas (BA). “Comecei a treinar forte, para valer, no fim de fevereiro. Eu estava com algumas lesões, precisei fazer uma cirurgia em dezembro. Então essa foi a minha primeira competição importante do ciclo. Estou em uma fase de reconstrução, de analisar o que errei no último ciclo, o que posso melhorar, e quero corrigir todos esses buracos”, planeja.

Dado o primeiro passo no Pan-Americano, Aline agora focará no Mundial de agosto, na França, a competição mais importante do ano. Ao mesmo tempo, se programa para não comprometer o corpo logo no primeiro ano do ciclo olímpico. “A gente molda um pouco o treino pensando em não exagerar. Meu treino físico, por exemplo, está me dando suporte para evitar lesões e preparar o meu corpo para quando eu precisar dar os picos e treinar forte mais próximo de Tóquio”, explica. “Antes de uma competição importante, eu estaria treinando explosão, força. Estou fazendo um pouco o contrário. Estou tentando fortalecer o corpo para que ele aguente a carga que vem depois”, define.

Outro aspecto a ser trabalhado é o mental, para aceitar o novo momento. “Essa preparação física me ajuda a controlar um pouco a ansiedade de saber que estou em uma fase de construção do ciclo. O trabalho feito no dia a dia ajuda psicologicamente a entender o que demanda cada fase, que agora é momento de segurar um pouquinho”, acredita a atleta, contemplada com a Bolsa Pódio do Ministério do Esporte e que atualmente treina no SESI de Cubatão (SP).

Derrota para a russa Ekaterina Bukina no Rio 2016 ainda está engasgada